Era para eu ter tido vergonha de tentar de novo. E tive. E acho que foi justamente ela, a vergonha, que me fez conseguir ir até o fim dessa vez. Foi duro. Traumatizante. Algo que só vou gostar de contar para os meus netos, que provavelmente rirão de tal experiência bizarra da Idade Média. Já os filhos podem querer sair de casa ao sabê-la, portanto é mais seguro pular uma geração.
Como vocês já sabem, sofro de uma espécie de fadiga crônica que se intensifica a cada virada de ano. Não que eu não precise encomendar um guindaste todos os dias para ser arrastada da cama, mas é que nessa época a coisa fica muito feia. E é sempre nessa época, portanto, que tomo providências mais objetivas a respeito. Depois de fazer exames de sangue para eliminar a hipótese de anemia, fazer acupuntura, acender algumas velas e plantar meia bananeira (essa eu explico depois), encarei a última cartada: fazer uma polissonografia.
O nome parece inofensivo mas acreditem, o ritual é macabro. Dizem que você vai apenas dormir numa clínica e ter o seu sono monitorado, mas é mentira. A verdade é que você vai ser preparado e besuntado para ter seu cérebro picado em pedacinhos por extraterrestres canibais.
Da primeira vez que tentei ir até o fim, travesseiro e livro de cabeceira debaixo do braço, agüentei o suspense até ouvir do atendente muito habilitado os detalhes do exame. Quando ele saiu do quarto dizendo que voltaria em breve para me preparar, fui até o banheiro (tem câmera no quarto, bobinhos) e troquei de roupa. “Vamos lá?”, ele disse, entrando de novo no quarto. Vamos, respondi. Vamos para casa.
Daí o cansaço persistiu e bateu uma certa consciência pesada. Como eu poderia voltar ao médico de mãos abanando e falar, com carinha de coitada, que não conseguira fazer o exame? Não, senhores. Eu tinha uma obrigação moral com aquele desafio. Era agora ou nunca.
Quando cheguei na recepção, travesseiro e livro de cabeceira debaixo do braço de novo, fui recebida pelo mesmo atendente. Confesso que, apesar da vergonha, gostei de ver que era o mesmo cara. Exames como esses pedem uma certa cumplicidade, meninos. “E aí, dessa vez você vai ficar?”, perguntou. “Não sei, depende, talvez, vamos ver...”, respondi. Eu, hein, precisava deixar o caminho livre, gente!
Sentei numa poltrona, ele sacou um pente de cabeleireiro e, como tal, começou a separar mechas do meu cabelo. Entre elas colocou uma pasta gosmenta que até hoje não saiu direito, aplicou eletrodos e colou-os com uma substância que tinha tanto cheiro de éter que devia ser éter. Fiquei lá, meio grogue, e comecei a me divertir perguntando quais as cenas mais bisonhas que ele já havia presenciado por lá. Ri de várias histórias, soube que o meu caso era fichinha e, quando ele acabou e pude me olhar no espelho, não resisti. Ele precisava tirar uma foto.
Fiquei em pé esperando o clique mas ele dirigiu a cena muito melhor: “Deita na cama que vai ficar mais legal”, sugeriu, colocando ainda no meu dedo indicador esquerdo um aparelho que servia para registrar a minha oxigenação e também para me fazer brincar de E.T. phone home, porque ele fazia piscar uma luzinha vermelha. Sim, eu estava meio infantil. Devia ser porque ele me contara que, naquele dia, havia na clínica uma menina de nove anos. Entendi o recado. Se uma menina de nove anos podia fazer aquele exame, eu também podia.
Eu poderia postar a foto aqui, crianças, mas tenho medo de afugentar os meus seis fiéis leitores. Por favor não insistam.
A duras penas consegui dormir três ou quatro horas. É muito para quem está com quatro eletrodos na cabeça, um na testa, um no queixo, um no pescoço, uma faixa no tórax, uma no abdômen e mais dois eletrodos nas coxas. Ah, sim, e com um cabinho no nariz.
É claro que você acorda com dor de cabeça. É claro que você tem que apertar uma campainha para chamar o atendente antes de sequer pensar em levantar para ir ao banheiro, coisa que você faz apenas com uma mão, porque a outra está ocupada em segurar duas dezenas de fios ligados a uma caixa com outras dezenas de botões – nada dá choque, no entanto, fato que, uma vez avisado, me acalmou deveras.
É claro que nada, até hoje, me cansou tanto como esse exame. Nem fazer dois livros ao mesmo tempo é tão extenuante. Estou quase torcendo para ver algo de grave no resultado para que tenha valido a pena todo o drama.
O resultado sai na semana que vem. Se eu conseguir levantar até lá, conto pra vocês.
E Robson, onde quer que você esteja, muito obrigada!
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Ano novo, cara nova
Resolvi me repaginar nesse final de ano. Em 2010 serei uma nova mulher. Recauchutei tudo, dos pés à cabeça, mas foquei mesmo meus esforços estéticos no rostinho. Afinal de contas é ele quem dá as cartas e hoje em dia é mais importante do que qualquer outra manifestação pessoal, entenda-se por isso alguma personalidade, modo de vestir e falar, curiosidade por assuntos diversos, interesse por uma determinada área de conhecimento como, por exemplo, ai (suspiro de tédio com direito a olhinhos e cílios com rímel revirados para o alto), a filosofia. Não, bobinhos, nada disso é mais importante do que um bom lay out up do ano. Nada. Mas nada mesmo. Estou rindo de quem acha que pensar é mais importante. Ah, crianças. Pensar dá rugas!
Então aderi. Se não pode contra eles, una-se a eles. Já que moramos no império da imagem, que deixa roucas as outras vozes de expressão e impede, por exemplo, que as mulheres se rebelem contra complôs de fashionistas sádicos ocupados em torná-las adultas vestidas como crianças, babados frufrus e lacinhos em alta, achei melhor me render. Laissez faire, laissez passer, é o que manda até hoje a economia. Fui abduzida por eles, gente, mas adorei o resultado. Estou ou não estou mais bela, meninos?
Um 2010 repaginado para vocês também!
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Reta final

Como vocês já sabem, a minha fadiga de final de ano é algo assustadora. Tá difícil até de postar, gente! Por isso fiz uma eleição interna aqui e a poesia abaixo venceu o concurso das melhores poesias publicadas em 2009 na umbigolândia. Ganhou o direito de ser republicada e de ser enviada aos amigos por email. O que é uma grande honra, é claro.
Com ela deixo os meus melhores votos de felicidades para o próximo ano, assim como um desejo enorme de que o Papai Noel, desta vez, acerte todos os presentes.
Maresia tem nome
é esquina abrupta
que te abraça lambido
Névoa lânguida
que te molha disfarçado
Instância rarefeita
que resolve problemas
nem pensados
Nuvem disfarçada de riso
Água transmutada em prazer
Vida suada, pele grudada
De acontecer, anoitecer
e começar tudo de novo
seco-molhado
amanhã.
Feliz 2010, cambada!
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Um step na frente
Lembram do Leonardo Sandoval, o sapateador do Leblon?
Esteve ontem no Jô Soares!
Não é por nada não mas, como diria o jargão... eu furei o Jô!
Esteve ontem no Jô Soares!
Não é por nada não mas, como diria o jargão... eu furei o Jô!
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Jingle Bells
Todo ano é a mesma coisa. Dezembro chega com um cansaço inominável, uma fadiga daquelas de te jogar na cama e deixar os neurônios perdidos no travesseiro. Passo por isso há muitos anos. Já arrisquei várias explicações.
Uma delas é que sou freela há mais de dez anos e desde então não tenho férias regulares, o que me faz ver o final do ano como aquela época liberada ao descanso, com o calendário cheio de álibis como amigos ocultos, festinhas e so on. Então o corpo pensa ooobaaa e se joga na cama à minha revelia. O problema é que os meus contratantes não sabem disso e costumam ter o mau gosto de me passarem trabalhos meio urgentes nessa época. O meu cérebro não entende o contra-senso e fica muito perturbado. Revoltado e deprimido, não necessariamente nessa ordem.
Também já me disseram que a canseira pode ter algum fundo energético, porque essa é uma época em que as pessoas pensam muito na vida, se deprimem e se estressam com os preparativos das festas que deveriam servir para trazer paz. Vai saber.
O que sei é que ontem fiz ioga e cumpri com alguma glória vários exercícios que ainda não conseguia fazer completamente. Fui e voltei da invertida sobre os ombros com pernas esticadas e abdômen irrepreensível, compensei na postura do peixe tirando os braços do chão e sustentando o tronco com a força do cocuruto, sustentei o corvo por mais de dez milagrosos segundos, enfim, uma festa, quem é iogue sabe. Só ficou faltando dar uma força para os músculos, que sem um potássio básico depois da aula costumam reclamar. Some a isso uma dor de estômago causada pelos excessos do final de semana e entrei em colapso. No final do dia já me arrastava pela casa, curvada, sem saber onde acabava o estômago e começavam as costelas porque doía, negada, doía tudo junto.
Adernei. Levantei a bandeira branca. O fim do ano chegou.
Boas festas para vocês também.
Uma delas é que sou freela há mais de dez anos e desde então não tenho férias regulares, o que me faz ver o final do ano como aquela época liberada ao descanso, com o calendário cheio de álibis como amigos ocultos, festinhas e so on. Então o corpo pensa ooobaaa e se joga na cama à minha revelia. O problema é que os meus contratantes não sabem disso e costumam ter o mau gosto de me passarem trabalhos meio urgentes nessa época. O meu cérebro não entende o contra-senso e fica muito perturbado. Revoltado e deprimido, não necessariamente nessa ordem.
Também já me disseram que a canseira pode ter algum fundo energético, porque essa é uma época em que as pessoas pensam muito na vida, se deprimem e se estressam com os preparativos das festas que deveriam servir para trazer paz. Vai saber.
O que sei é que ontem fiz ioga e cumpri com alguma glória vários exercícios que ainda não conseguia fazer completamente. Fui e voltei da invertida sobre os ombros com pernas esticadas e abdômen irrepreensível, compensei na postura do peixe tirando os braços do chão e sustentando o tronco com a força do cocuruto, sustentei o corvo por mais de dez milagrosos segundos, enfim, uma festa, quem é iogue sabe. Só ficou faltando dar uma força para os músculos, que sem um potássio básico depois da aula costumam reclamar. Some a isso uma dor de estômago causada pelos excessos do final de semana e entrei em colapso. No final do dia já me arrastava pela casa, curvada, sem saber onde acabava o estômago e começavam as costelas porque doía, negada, doía tudo junto.
Adernei. Levantei a bandeira branca. O fim do ano chegou.
Boas festas para vocês também.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Nós e os outros
Jill Taylor é neurocientista. Sempre senti um certo arrepio ao ler essa palavra, “neurocientista”. Porque, pensem bem, quem fala de um cérebro é sempre um...cérebro! Com as mesmas limitações, parcialidades e percepções enquadradas no espaço-tempo do cérebro analisado. Então o que posso pensar sobre o fora está, eureca, sempre dentro. Donde se palpita, ao menos aqui nos limites da minha patota interna, que a neurociência está mais para a ficção do que para a ciência, com a diferença que essa ficção pode ser muito objetiva e pontual. Uma historia muito bem contada, com muito estilo aliás, mas que não é capaz de explicar para uma célula o que é a dor funda da angústia no peito nem o azul sombrio da depressão, muito menos a suavidade brilhante e colorida da euforia.
Sim, um neurocientista explica usando termos químicos, e ouvimos falar sobre receptores de serotonina e sinapses nervosas. Mas, gente, vai explicar isso para a molécula! Vai sentir isso na alma! Vai convencer Rimbaud e sua célebre frase, “Eu sou um outro”! E Foucault, gente? “O ser humano é o que há de ser construído”, escreveu o sujeito. O equipamento humano, ele lembrava, é também uma construção filosófica. Como dormir com essa, crianças?
Bom, Jill Taylor conseguiu dar esse passo agregador e revolucionário. Deu um gigantesco pulo, emocionou-se e passou pelo grande abismo entre ciência e subjetividade motivada a passar suas descobertas adiante. Seu relato é científico até a medula mas também indubitavelmente humano. É simplesmente o depoimento que resume mais fielmente tudo o que ando pensando e sentindo sobre o mundo e a vida, esses pequenos detalhes que vamos deixando sempre para depois.
Não percam a oportunidade de assistir. Reservem um tempinho. Garanto que vale a pena.
Paz a todos.
TED pt_BR] Jill Taylor: Um derrame de lucidez (parte 1/3)
http://www.youtube.com/watch?v=ur7MsKQU0vk
Sim, um neurocientista explica usando termos químicos, e ouvimos falar sobre receptores de serotonina e sinapses nervosas. Mas, gente, vai explicar isso para a molécula! Vai sentir isso na alma! Vai convencer Rimbaud e sua célebre frase, “Eu sou um outro”! E Foucault, gente? “O ser humano é o que há de ser construído”, escreveu o sujeito. O equipamento humano, ele lembrava, é também uma construção filosófica. Como dormir com essa, crianças?
Bom, Jill Taylor conseguiu dar esse passo agregador e revolucionário. Deu um gigantesco pulo, emocionou-se e passou pelo grande abismo entre ciência e subjetividade motivada a passar suas descobertas adiante. Seu relato é científico até a medula mas também indubitavelmente humano. É simplesmente o depoimento que resume mais fielmente tudo o que ando pensando e sentindo sobre o mundo e a vida, esses pequenos detalhes que vamos deixando sempre para depois.
Não percam a oportunidade de assistir. Reservem um tempinho. Garanto que vale a pena.
Paz a todos.
TED pt_BR] Jill Taylor: Um derrame de lucidez (parte 1/3)
http://www.youtube.com/watch?v=ur7MsKQU0vk
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Andarilhos SA
O meu marido e eu agora dividimos o carro, o que quer dizer que de vez em quando um ou outro fica a pé. Hoje foi a minha vez. Como ele precisava das quatro rodas e a única coisa que eu precisaria fazer fora do meu home office (chique, isso) era ir ao supermercado (não tão chique), dei a vez. Decidi ir a pé. Seria bom mesmo fazer algum exercício aeróbico.
Meti a minha calça de yoga, um tênis e um boné, me alonguei, gritei há! e fui. Até o supermercado são mais ou menos vinte minutos de caminhada e o trajeto, em ruas residenciais e arborizadas, é dos mais agradáveis. Apesar do calor, foi um passeio gostoso e me perguntei por que não faço isso mais vezes. Ora bolas, porque é muito mais cômodo sentar a bunda no carro e ligar o ar condicionado.
Mandei entregar as compras e cheguei em casa cheia de orgulho de mim mesma. Não só por ter feito exercício, mas também por ter economizado um pouco de gás carbônico. Não seria bom se mais gente fizesse o mesmo? Então pensei, é claro, em fazer um livro sobre o assunto. Tenho muito pouca imaginação para pensar em outras coisas.
O livro seria um guia do andarilho e cada bairro teria o seu, com dicas dos melhores atalhos e rotas para os adeptos do tênis. Se o ciclistas já têm os seus clubinhos, por que não criar os clubinhos dos andarilhos? O projeto poderia ser patrocinado por marcas esportivas e uma consultora de moda poderia entrar em ação para atender as mulheres revoltadas com a falta de glamour da proposta. Ok, não dá para ficar linda e maquiada e perfumada e de salto alto assim, mas dá para fazer um charme com um bom shortinho e um par de tênis bacana, dá não? E afinal de contas, gente, essa vida de glamour 24 horas só existe nas novelas! Afe.
Agora só falta descobrir como passar do Jardim Oceânico para o Downtown a pé. Marido e eu já tentamos bater esse recorde mas paramos na altura do Hortifruti. Lá tem um balsa que atravessa o canal, mas seu uso é reservado apenas aos moradores do condomínio ladeado pelo mesmo. Decepção. Subir o viaduto ficou fora de cogitação. Aí é falta de glamour demais.
O bom de ser freelancer sem editor é poder ter essas idéias de publicações variadas e não precisar levá-las adiante. A não ser vocês seis, ninguém vai saber disso e portanto não haverá cobranças. Nem guias.
Já se alguém aí se habilitar a participar de alguma forma, estamos a postos. Ou não. Ai, meninos, tá tão quente...
Meti a minha calça de yoga, um tênis e um boné, me alonguei, gritei há! e fui. Até o supermercado são mais ou menos vinte minutos de caminhada e o trajeto, em ruas residenciais e arborizadas, é dos mais agradáveis. Apesar do calor, foi um passeio gostoso e me perguntei por que não faço isso mais vezes. Ora bolas, porque é muito mais cômodo sentar a bunda no carro e ligar o ar condicionado.
Mandei entregar as compras e cheguei em casa cheia de orgulho de mim mesma. Não só por ter feito exercício, mas também por ter economizado um pouco de gás carbônico. Não seria bom se mais gente fizesse o mesmo? Então pensei, é claro, em fazer um livro sobre o assunto. Tenho muito pouca imaginação para pensar em outras coisas.
O livro seria um guia do andarilho e cada bairro teria o seu, com dicas dos melhores atalhos e rotas para os adeptos do tênis. Se o ciclistas já têm os seus clubinhos, por que não criar os clubinhos dos andarilhos? O projeto poderia ser patrocinado por marcas esportivas e uma consultora de moda poderia entrar em ação para atender as mulheres revoltadas com a falta de glamour da proposta. Ok, não dá para ficar linda e maquiada e perfumada e de salto alto assim, mas dá para fazer um charme com um bom shortinho e um par de tênis bacana, dá não? E afinal de contas, gente, essa vida de glamour 24 horas só existe nas novelas! Afe.
Agora só falta descobrir como passar do Jardim Oceânico para o Downtown a pé. Marido e eu já tentamos bater esse recorde mas paramos na altura do Hortifruti. Lá tem um balsa que atravessa o canal, mas seu uso é reservado apenas aos moradores do condomínio ladeado pelo mesmo. Decepção. Subir o viaduto ficou fora de cogitação. Aí é falta de glamour demais.
O bom de ser freelancer sem editor é poder ter essas idéias de publicações variadas e não precisar levá-las adiante. A não ser vocês seis, ninguém vai saber disso e portanto não haverá cobranças. Nem guias.
Já se alguém aí se habilitar a participar de alguma forma, estamos a postos. Ou não. Ai, meninos, tá tão quente...
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