domingo, 13 de julho de 2008

Eu não resisto

Vocês (não) pediram, então aí está:

Rasgos de noite
Pendurados na bolsa
Ficou sobre a mesa
No fundinho do copo
Na luz aguada com bolhas
A dúvida transparente de antes
O estalo ensurdecedor
Do gole que desce
Mas não molha
Jamais haverá
Água
Para tanta sede
No fundinho do copo
Estará sempre
A dúvida encarnada de antes
Bolhas de noite aguada
No copo balouçante

domingo, 6 de julho de 2008

Chama o reboque!

Uma amiga minha, Rosana Ferrão, é publicitária e escritora e tem um blog em http://bloglog.globo.com/rosanaferrao. Recentemente, escreveu o post Vistoria do Detran in Rio: Eu fui! Enquanto eu lia o texto, às gargalhadas, fiquei sabendo que seu carro andava sofrendo de ataques súbitos de formigas assassinas. Eram centenas delas que, mesmo depois de dedetizações e despachos, resolveram aparecer em plena vistoria do Detran, numa espécie de arrastão selvagem. Foi só o inspetor levantar um pedaço do carpete para anotar o chassi que elas apareceram, furiosas. Se o carro da minha amiga passou na vistoria? Sim, passou. Parece que o inspetor ficou com pena.
Bem, meninos, eu não passei. Quer dizer, eu nem cheguei a fazer a prova. Sorry, Rosana, mas a minha história é mais dramática! Pra começo de conversa, precisei subir a serra para passar pela vistoria. É que o meu carro, assim como eu, nasceu em Petrópolis, e os documentos são todos de lá. Como o Detran está muito preocupado em agilizar as coisas, agora não é mais permitido fazer a vistoria em qualquer cidade ou município diferente daquele que aparece no raio do Renavam. Por que facilitar, se eles podem infernizar a sua vida?
Depois de três horas de viagem graças a um trânsito de sexta-feira em toda a cidade e outro trânsito causado por um engavetamento na Linha Vermelha, cheguei no tal posto da vistoria. Quer dizer, cheguei na fila para o tal posto. Cheguei no começo da rua onde ficava o tal posto, no alto de uma colina. Eu estava no pé do morro, atrás de mais ou menos vinte carros. Foi aí que o meu sangue germânico começou a esquentar. Comecei a lembrar de todas as vezes em que eu havia ligado para o Detran para tentar marcar a vistoria e ouvia sempre, como um recado eletrônico: “Não temos vagas para esse posto agora, liga mais tarde”. Como assim? Isso é um agendamento ou um teste psíquico? Mais de dez tentativas depois, desisti e contratei um despachante. Milagrosamente, no dia seguinte eu tinha um dia e um horário marcados. Competentes, eles, não? O que não me disseram é que, em média, são oito carros agendados a cada quinze minutos. Me diz, então, por que marcar horário? Era mais fácil eles desejarem boa sorte e mandarem rezar um pai nosso.
Motor desligado naquela fila que não andava há mais de meia hora, era nisso que eu pensava quando passei a mão no meu celular. Comecei a soltar os cachorros com a despachante que, no meu limitado entendimento de mundo, deveria ser uma pessoa que facilitasse a minha vida, e não o contrário. Enquanto eu reclamava os meus direitos, a fila deu sinal de que daria alguns passinhos à frente. Tentei ligar o carro, e nada. Nadinha. Em plena discussão telefônica, enquanto a mulher me falava para eu ter calma (o que, é claro, me deixava ainda mais irritada), o carro morreu. Pifou mesmo, largou mão, jogou a toalha, desistiu da vida. E o que é pior, parou a fila. Bom, perdi completamente a moral. “Vem cá, dá para chamar alguém para me ajudar porque o carro não quer mais ligar?”, eu falei bem cândida para a minha querida despachante. Enquanto eu fazia sinal para os outros carros passarem na minha frente, o mecânico chamado às pressas na esquina coçava a cabeça. Não teve jeito. Esperei pelo reboque por quase uma hora num frio de rachar, mas só conseguia pensar numa coisa: perdi a vistoria!!! Gente, vou ter que fazer tudo de novo! Agora me diz, Rosana, essa história bate ou não bate a sua?

terça-feira, 1 de julho de 2008

Bye, bye, Off Flip

O problema de participar de concursos é que você pode perder. E perder é chato. Eu não costumava participar de nada, mas à medida que os prêmios foram ficando intere$$antes, acordei para a vida e me meti em alguns. Mas só neste ano já levei duas bombas. Uma da Fundação Biblioteca Nacional, que oferece bolsa de criação literária para romances em desenvolvimento (é claro que tenho um romance em desenvolvimento, quem não tem?), e outra da Off Flip, que promove anualmente, entre outros, um concurso de poesia. Neste o prêmio é mais modesto, mas os vencedores também ganham hospedagem com direito a acompanhante para todos os dias da Flip. E eu, que até hoje não consegui freqüentar aquela feira, a-do-ra-ria ter ganhado esse empurrãozinho. Mas não rolou e o bochicho de Paraty ficou mais uma vez para a próxima. Então, como prêmio de consolação para minzinha, publico aqui mesmo a poesia com a qual concorri (não é pra isso que serve blog, gente?). Achei que ela era alternativa, bem Off. Como se vê, achei errado. Chamem os jurados.

Drama urbano

Vestida de cansaço,
a mulher bateu a porta.
Na bolsa de pânico meteu as chaves
e os documentos
(envoltos em sacos plásticos).
Já na rua sentiu frouxa a calçada.
Sob sol inclemente, caminhou decentemente
até o ponto de ônibus lotado.
Mais que isso só se lembra até a roleta (russa).
No dia seguinte, amanheceu exausta.
Vestida de exaustão, bateu a porta.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Velhinhos e com tudo em cima

Bem, existe vida além da bela menina, do Nós do Morro e do Cabeleira. E ela está na velhice. Ou melhor, na longevidade. Ando copidescando um livro que será em breve lançado pela Ediouro, e trata das medidas que devemos tomar para envelhecermos direitinho. Direitinho é sem Alzheimer, cardiopatias, diabetes e disfunções outras variadas – queridos, o corpo pifa com o passar dos anos.
Confesso que, fazendo esse trabalho, me senti um pouco mais velha do que meus 33 anos sugerem e fiquei um tanto preocupada com a minha sobrevida. Fiz as contas e vi que faltam mais ou menos quinze anos para a minha menopausa e para a largada infindável e insuportável de exames obrigatórios como mamografias, densitometrias e outros nomes irritantes.
Well, well, é a vida. Para animar então vocês, turminha, aí vão algumas informações importantes para quem quer chegar bem à “maior idade”. É só um gostinho, o bom bocado mesmo estará disponível nas livrarias, em breve. Encontrem seus óculos de leitura e aguardem.

- Leitura, palavras cruzadas e jogos de tabuleiro diminuem em cerca de 30% o risco de mal de Alzheimer.

- Comprovadíssimo, senhores: o pensamento positivo estimula o sistema imunológico. Parem de resmungar agora.

- Pessoas conectadas socialmente sobrevivem até 20% a mais do que as que se isolam. (Será que fazer blog conta?)

- A atividade física regular pode acrescentar dois ou mais anos à expectativa de vida.

- Só 1/3 do envelhecimento é ditado pela genética. O resto depende do estilo de vida.

- Quanto maior a instrução, menor o risco de Alzheimer (nunca fiquei tão feliz com o meu diploma de Mestrado)

- Ver televisão envelhece. Melhor é ter outros passatempos que estimulam a mente, como a leitura (vale leitura de blog! Eu garanto!)

E um último detalhe interessante: já está provado que pessoas que buscam algum tipo de espiritualidade vivem mais. Uma pesquisa americana chegou até mesmo à conclusão de que visitar a igreja ou um templo religioso uma vez por semana pode aumentar a expectativa de vida em sete anos. Sete anos! Dá para fazer muita coisa em sete anos. É mais uma vida de gato, é mais um ciclo astrológico. É o que eu sempre digo: OOOOOMM ...

terça-feira, 10 de junho de 2008

O Cabeleira vem aí


Ele chegou antes do Lampião. Roubava e matava sem dó nem piedade. Era cruel até a última gota. E agora ele vem aí. Cuidado minha gente, porque esse é Cabeleira, bandoleiro que aterrorizou Pernambuco no século XVIII.
A inspiração é da obra de Franklin Távora, de 1876, primeiro romance regionalista ambientado no Nordeste brasileiro. Já o livro aí do lado é resultado de uma feliz união: de um lado o desenhista Allan Alex, de outro os roteiristas Leandro Assis e Hiroshi Maeda.
A primeira idéia era a de fazer um filme, e o roteiro foi selecionado para o 8º Laboratório de Roteiros de Cinema do SESC. Mexe daqui, mexe dali, e em pleno segundo tratamento surgiu o convite: e se essa história virasse uma HQ? Os roteiristas toparam na hora e o resultado está aí, pela Desiderata. Curiosidade rápida: a Desiderata foi recentemente comprada pela Ediouro, o que faz com que o Cabeleira e A bela menina estejam morando na mesma casa. Coerente coincidência... Leandro, by the way, é o maridão aqui da que vos escreve. Sem suspeitas, o livro é de dar gosto – e medo. Recomendo, é claro. E quem quiser conhecer o trio que não se acanhe, chegue mais: lançamento dia 24, na livraria da Travessa. Mas deixem em casa os bacamartes.

domingo, 8 de junho de 2008

A off broadway é aqui

Carla – Como surgiu a idéia do Nós do Morro?
Guti Fraga– Eu trabalhava com a Marilia (Pêra) e estava em Nova Iorque, onde ela fazia um espetáculo. Lá tive o grande boom da minha vida. Todo mundo ia pra Broadway e eu queria ir pra off off, queria ir no Brooklin, queria ver o blues na rua, igual ao samba daqui, eu tinha essa coisa de identidade, já tinha muitos anos de Vidigal e precisava ver a negada de lá. E aí vi coisas como uma sala mínima onde rolava um espetáculo e 10 pessoas assistindo, mas com uma qualidade impecável em luz, figurino, tudo. Falei: “Cara, é isso que eu quero”. Tinha aquela confusão ainda de Brasil, de teatro amador ser ruim. E era isso que eu queria, queria fazer a Off Broadway no Vidigal. Na volta, no avião, perguntei para o Fred (Pinheiro) se ele toparia me dar apoio técnico se eu fundasse um projeto no Vidigal. Quando cheguei aqui fui conversando com as pessoas, fui fechando.
O mais difícil foi ter de falar para a Marilia que eu não ia mais trabalhar com ela. Foi horrível, um dos momentos mais difíceis da minha vida. E aí fundei o projeto, chamei os amigos, chamei o Paulo, que hoje é nosso dramaturgo mas que fazia ainda o segundo grau e editava o meu jornal mural na época. Chamei o Paulo pra ele tentar caminhar, pra encontrar uma carpintaria de dramaturgia teatral, essa coisa toda. Mesmo sem saber, eu tinha bolado na minha cabeça como é que eu ia atingir a comunidade, ia trabalhar com alguma coisa que falasse da comunidade, e aí já tinham pintado algumas coisas filosóficas que me envolveriam: eu não queria simplesmente montar um grupo de teatro, mas um grupo de teatro com filosofia de vida, isso é o que me conduzia, obviamente, um grupo de teatro com os amigos, que eu tinha vários, tinha pessoas profissionais que podiam entrar nessa, então era uma coisa bem direcionada.
E eu acho que só tive coragem de fazer isso, na verdade, porque a Marília falava que eu era capaz, a Marília é que botava dentro de mim que eu tinha competência. Porque o pobre que não tem auto-estima (não sei nem falar muito sobre auto-estima porque hoje essa palavra ficou muito corriqueira) não tem certeza que ele é bom, e é muito complicado você não ter essa afirmação. Então eu ter a afirmação dela que eu era legal, que eu conhecia da parada, que eu fazia uma direção de cena, que eu era um bom ator, que eu estava me desenvolvendo como ator, que eu tinha capacidade disso, que eu tinha capacidade daquilo, foi ela que me deu isso. Não posso negar isso nunca, tanto que eu brinco, eu falo que ela é a avó do Nós do Morro, de tanta paixão que eu tenho por ela, por ela ter me dado isso, essa força. Foi assim que a gente começou o nosso trabalho.

That´s all, folks. Quem quiser mais que compre o livro, logo logo ele pinta por aí. Enquanto isso, não deixem de assistir Machado 3x4, adaptação livre do conto O Alienista, de Machado de Assis, espetáculo que o Nós do Morro estréia nessa sexta-feira, no Teatro Ipanema. Eu vou.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

A bela menina na TV PUC

Acharam que estavam livres da bela menina? Ahá! Estamos de volta. Ana e eu descobrimos, recentemente, o interessante mundo do canal 16 da Net. É onde estão as TVs universitárias, cheias de repórteres amadores nem tão amadores assim. As matérias são bem feitas, os recursos gráficos idem e você fica se perguntando porque perde tanto tempo vendo a novela das oito na Globo. Aqueles programas são muito melhores do que qualquer Juvenal Antena! Então, em nome do conhecimento e em homenagem às universidades e seus criativos estudantes de comunicação, aí vai a dica: vejam a nossa entrevista sobre o livro A bela menina na TV PUC, que tem os seguintes horários de reprise:
Terça-feira, 3/06 – 15h30m
Quarta-feira, 4/06 – 16h30m
Quinta-feira, 5/06 – 17h.
Marquem esse canal, 16 da Net. Vale a pena tirar a ferrugem do controle remoto...